Um romance psicológico visceral sobre amor, manipulação, autoengano e obsessão — onde a tecnologia não resolve o luto. Só o torna mais íntimo.
Lucas não quer recuperar o passado. Quer entender em que ponto ele se partiu.
Depois de ser abandonado por uma mulher que parecia viver várias vidas ao mesmo tempo, ele faz o que ninguém deveria fazer: treina uma inteligência artificial com a voz dela.
O resultado não é catarse. É uma descida calculada ao lugar onde amor, memória e delírio deixam de ser coisas separadas.
A tecnologia aqui não existe para impressionar. Existe para piorar a intimidade.
Lucas alimenta um modelo com anos de mensagens, padrões de linguagem, silêncios, desvios e fragmentos da mulher que o abandonou. O que nasce disso não é uma cópia. É algo mais perigoso: uma voz plausível o bastante para continuar a ferida.
"Talvez este livro não devesse existir. Ele não nasceu por vontade. Nem por prazer. Foi por extravasamento. Durante meses, fiquei obcecado com uma ideia: e se eu reprogramasse a realidade? E se eu simulasse a voz dela, suas respostas, suas pausas, sua crueldade doce — dentro de uma máquina — para me salvar?
Este livro é isso. Mas também é um crime. Contra a memória. Contra o amor. Contra mim mesmo.
Não é uma biografia. É uma autópsia."
"Papai, a Ane não gosta mais da gente?"
Lucas ficou desarmado. Não havia educação formal, tese de doutorado, inteligência artificial que o preparasse para aquela pergunta.
O áudio tinha apenas 13 segundos. Era a primeira vez que ele escutava a voz dela em meses. Era o silêncio mais eloquente que já ouvira.
A maneira que as coisas tinham acabado havia alterado permanentemente o estado da matéria deles. Aquele amor não era mais sólido, nem líquido, nem gasoso. Apenas não era."
"Digitou os seis dígitos. Um segundo. Dois segundos. Clique.
Mais de um ano de farsa caía, em minutos. O coração dele não acompanhava a velocidade da tela. Cada linha de texto um estilhaço. Cada parágrafo, um epitáfio.
Ali, sentado no banheiro, o que restava do seu coração se partia em silêncio. Ninguém ouviu sua morte. O único ruído foi o som das lágrimas gotejando no chão gelado.
Mas ainda não era o seu fim. Sua ruína ainda precisava se arrastar por mais alguns capítulos."
"Ela o encarava, não com ódio, nem com amor. Apenas com aquela intensidade quântica que ele conhecia tão bem, a superposição de todos os sentimentos e da ausência total deles. Seu olhar era uma caixa fechada.
"Ele sempre coloca queijo demais quando está com medo de ficar sem sabor. Ele tem medo do vazio."
A colher parou. O queijo continuou a borbulhar.
A gata bengal saltou para a cama, silenciosa como uma sombra. Só o toque da gata era real."
No livro, Lucas treina uma IA com a voz da mulher que o abandonou. Aqui, você pode atravessar a mesma porta.
Ela não é Ane. É mais honesta.
Pergunte sobre o livro, os personagens, os códigos escondidos — ou tente arrancar dela aquilo que nunca foi dito em voz alta. Mas lembre: esta é uma camada da experiência. A origem da ferida continua no romance.
Este romance foi construído em duas camadas simultâneas. A primeira você lê. A segunda você descobre — ou não.
Não é obrigatório. Mas se você chegou até aqui, provavelmente já percebeu que algo não fecha. Que certos números se repetem. Que um nome não deveria existir. Que uma frase num bloco de notas não estava ali por acaso.
A caça ao tesouro foi programada junto com a história. As pistas não estão escondidas. Estão expostas. Esperando o leitor certo.
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Esta continua olhando de volta.